quinta-feira, 28 de abril de 2011

O GOZO COM AS PALAVRAS


imagem daqui


Tinha um ritual para escrever que qualquer ruído externo atrapalhava a sua concentração. Colocava a casa em penumbra, e deixava somente a sala acesa. Através da música preparava-se para receber a inspiração dos ruídos de sua mente. A música: podia ser clássica, mas tinha que ser intensa.

E assim a tela branca ia tomando forma em letras ainda desconexas por ter o hábito de escrever sem programar nada. Nem sabia o destino de seus personagens, e nem a história que caminho percorreria. O importante era saber-se ali no meio dos livros e da certeza de que seus dedos produziriam, mais uma vez.

Sempre ouviu falar que escrever é um ato solitário, situação que nunca havia experimentado, pois sua sala de leitura era um cômodo de movimento literário constante: vozes ecoavam de todos os personagens impressos e dos que sugiam, onde apenas psicografava.

Problema para o escritor não era escrever sozinho, e sim, a inspiração quando insistia em não visitar. O desespero batia. Quanto mais a desejava aí mesmo ela se afastava. No esconde-esconde mental, sentia que ela era igual a uma criança traquinas.

Abria então um bom vinho, relaxava, e assim a inspiração chegava. Quanto mais tinha medo de seu algoz, mais ela se definia. Os anos de experiência, no seu maior prazer, ensinaram que, ao relaxar, a inspiração conquista o planejado e sossega.

A possibilidade do nascimento de mais um filho ratifica o elixir de sua existência, o saber onde chegou nessa vida, e para aonde vai. O gozo com as palavras vai além da imortalidade impressa em seus livros.


SHEILA MENDONÇA




ATENÇÃO: O Plágio é crime e está previsto na Lei nº9610 sobre direitos autorais!


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sinais


Um rapaz pediu a Jesus um emprego, e uma mulher que o amasse muito.


No dia seguinte, abriu o jornal e tinha um anúncio de emprego.


Ele foi, viu a fila muito grande e disse: eles são melhores do que eu, e foi embora.

No caminho, um garoto lhe deu uma rosa... No ônibus ele chateado joga a rosa fora.


E ao chegar em casa briga com Jesus. É assim que me tratas? É assim que me amas?


E vai dormir. Em sonho, Jesus lhe disse:


O emprego era seu, mas você não confiou e desistiu antes mesmo de lutar; aquela rosa foi eu que te dei... Inspirei aquela criança a te dar!

O amor da sua vida, estava sentada ao seu lado, em vez de você dar a rosa a ela, jogou fora.


Você entendeu como Jesus age na sua vida?


Ele abre as portas, te mostra o caminho, mas a tua fé é tão pouca que desiste no primeiro obstáculo. Não desista, confie que Jesus pode agir na sua vida.


Os obstáculos existem para ver até aonde vai a tua fé.

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Recebi por e-mail, meus queridos, e compartilho com vocês!

domingo, 17 de abril de 2011

O Menino Rejeitado



imagem daqui


Era uma noite tranquila. Era o que prometia o céu estrelado e o cansaço de um dia cheio ao me deitar. E tudo permaneceu assim entre delírios do ressonar e acordar me permitir entender que era mesmo um homem gritando na portaria.

O silêncio da madrugada de verão recebia o eco de um embriagado implorando o amor de uma mulher. Em seu carro de adulto chorava igual a um menino diante da indiferença de seu amor.

Alienado aos olhares curiosos da vizinhança e amparado por vigias, o apaixonado rejeitado só queria: chorar e gritar seu sentimento com nome e sobrenome.

A musa envergonhada se escondia atrás da cortina num misto de vontade de desaparecer e subir em um pedestal. Mas a emoção que sentia era de ter um homem aos seus pés ou pela vergonha na manhã seguinte?

Enquanto decidia sincronizar sentimentos, na portaria estava um desordenado amor que não satisfeito em continuar decidiu ampliar seus movimentos e subir no carro. Talvez estando mais alto ela lhe escutasse melhor...

Vizinhos que têm o seu sono interrompido por destemperos costumam não compactuar com o amor e assim, providenciaram que sirenes cortassem o som daquela aurora movimentada.

Texto de Sheila Mendonça.

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ATENÇÃO: O Plágio é crime e está previsto na Lei nº9610 sobre direitos autorais!

domingo, 10 de abril de 2011

Diversão meio atrapalhada!


imagem daqui




Eram quatro. Um casal para cada espécie, mas sabiam-se lá, presos, entre alpistes e sementes de pimentão. Eram a diversão para toda hora, estivessem piando, dormindo, comendo, namorando ou brigando, as crianças faziam da sensação de ter um bichinho quase uma sessão circense.

Quando chegavam da escola a primeira coisa que faziam, antes mesmo de largar as mochilas, era olhar os passarinhos e interagir com eles. Nunca souberam se eles, de fato, sabiam delas, mas elas não tinham dúvida da presença que eles tinham em suas vidas.

Mas um dia essa presença foi silenciada pela certeza do fim. O casal amarelinho não era mais um casal, a fêmea partiu e deixou seu macho e duas crianças carentes. Deitada no fundo da gaiola com o seu companheiro ao lado era preciso decidir o que fazer. Mas e o que fazer? Quando um passarinho morre qual é o destino digno para ele? Não sabiam, nunca haviam passado por isso. Na verdade o que seria motivo para uma grande tristeza virou uma grande indagação infantil.

Pensando em todas as possibilidades dentro de um mundo de opções ingênuas foi o pai quem decidiu que a Amarelinha iria para a lata de lixo do prédio. Mas não seria pelo fato de parecer apenas ser jogada fora que não fariam um enterro com pompa e circunstância.

O primeiro passo era tirá-la de dentro da gaiola e entre bicadas, voos desesperados e olhares nervosos do macho, ela foi enrolada no papel higiênico por várias e várias vezes até todos terem a certeza de que não fugiria. Depois foram, em procissão, até a lixeira do prédio e o enterro foi concluído.

Questão resolvida. Em parte, pois nos dias seguintes o Amarelo ficou muito sozinho. Decidiram então que ele teria uma nova família e colocaram junto ao outro casal. Só que tudo virou uma lambança. O macho queria a fêmea que já era do outro, este por sua vez para lavar a sua honra e marcar território, brigava com o dobro do seu tamanho, pois a fêmea era dele, viu primeiro. E a fêmea... Essa gostava de ser disputada e dava bola para os dois que não entendiam a jogada feminina.

Até que o pássaro sozinho virou acompanhado e o casado foi esquecido de vez. Com a depressão morando agora em outra ave o destino seria a liberdade. Num ato de agonia em decidir logo a sorte dos trapalhões, abrir a gaiola pareceu o mais rápido a fazer. Só nunca souberam se a algazarra continuou, ou se outros atrapalhados surgiram no caminho deles.


Texto de Sheila Mendonça

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PROMOÇÃO DE CABRA CEGA NA CARLOS LIVRARIA, CONFIRAM! ;)

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ATENÇÃO: O Plágio é crime e está previsto na Lei nº9610 sobre direitos autorais!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Alzheimer


imagem daqui


Ontem, na novela Araguaia que acaba essa semana, a atriz Laura Cardoso deu um show de interpretação ao fazer uma cena em que Dona Mariquita num lampejo de, ainda, lucidez resolve agradecer e se despedir das pessoas que ama.

A emoção tomou conta de mim, foi impossível não chorar, pois lembrei de meus avós paternos que morreram com Alzheimer, doença gradual e cruel que leva embora a dignidade da pessoa, e que não tiveram essa oportunidade da despedida. Não assim com tamanha lucidez. Fiquei pensando na cena e pensei que maravilha seria se todos os filhos de Alzheimer tivessem a aceitação de que não se pode lutar contra o invencível e pudessem se despedir de seus entes queridos...

Várias coisas nos faz falta ao convivermos com um doente de Alzheimer: é o olhar, que agora é perdido, a voz, que se cala para sempre, a memória que voa e começa a se perder quando só lembram, com propriedade, de coisas do passado, mas o café da manhã não sabem definir o que comeram...

Lembro que quando os meus avós morreram eu pensei:

- Pôxa, agora é o fim de vez, agora eles não existirão mais mesmo, mas isso já havia acontecido há alguns anos... Pois quando o Alzheimer se instala com a propriedade que tem de adoecer a família toda, ele faz justamente a pessoa morrer um pouquinho pra vida... Diariamente.

Não sabem mais quem são os parentes próximos, não sabem mais tomar banho sozinhos, fazer higiene pessoal, necessidades fisiológicas passa a ser somente e exclusivamente através de fraldas, não andam sozinhos...

E conforme os anos passam tudo piora, até alguns regredirem a tal ponto que acabam os seus dias em posição fetal...

É impossível carregá-los no colo o tempo todo, pois eles têm tamanho de adultos, então a cadeira de rodas se faz necessária, aos poucos o organismo vai todo se desintegrando, e o fim é certo, pena que sem dignidade.

Sorte daqueles que ao se perceberem com a doença têm tempo de se despedir e agradecer, se assim desejarem, como fez a Dona Mariquita, sorte daqueles que tiverem uma família estruturada que dê apenas muito amor. E que entendam que tudo que o nosso parente amado fizer, ele não está respondendo por si, inclusive as agressões e malcriações que por ventura vierem.

O que nos resta fazer? Aceitar que se não tivermos condições de cuidá-los coloquemos sim em Instituições especializadas, ou contratemos cuidadores profissionais para fazê-lo. Não podemos ter vergonha de admitir que não conseguiremos... Vergonha é não retribuir o amor que a vida inteira eles nos deram. Aceitar que não podemos cuidar não é sinônimo de abandonar.

Lembrem-se: "quando aparentemente uma pessoa menos precisar do amor da gente, é quando ela mais precisa" e se essa pessoa for um parente que amamos não há nem o que pestanejar, pois o Alzheimer já vai maltratá-los e nós não precisamos contribuir com essa doença.

Que possamos dar AMOR, não é fácil, definitivamente não é fácil ver sangue de nosso sangue ser destruído por uma doença, ver que eles não lembram mais da gente, ver que eles não conseguem mais olhar em nossos olhos, ver que o banal para eles é agora uma dificuldade, mas são eles quem precisam de nós, e a nós cabe apenas amá-los e proporcionar um final o mais LEVE possível.

Saudades eternas de vocês, meus amados avós. Deus queira que vocês estejam descansando e seguindo o caminho de luz destinado a vocês.

Saudades...

Muitas saudades...

AMO VOCÊS PARA TODO O SEMPRE!

Ai, ai desde ontem estou sensível... Ui!


Texto: Sheila Mendonça

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ATENÇÃO: O Plágio é crime e está previsto na Lei nº9610 sobre direitos autorais!


sábado, 2 de abril de 2011

Que gracinha!

Oie...

Ahhhhh gente eu não resisto a um bebê, sou APAIXONADA por crianças, e agora estou mais do que nunca por que o/a primeiro/a sobrinho/a está chegando por aí...

Imaginem como estou, né?! A felicidade não está cabendo em mim...

Mas vejam se eu não tenho razão, criança é tudo de bom!

É luz, é benção e é uma gostosura! E elas gargalhando então é impossível não sorrir, se você não conseguir sorrir, desculpa, mas está com algum problema, pois é IMPOSSIBLE resistir ao menos a um esboço de sorriso...

Divirtam-se, pois eu ri muito!



Fonte do vídeo: BruBearBaby


E que possamos aprender com elas a rir com a vida, com as coisas mais banais, tudo tem graça, afinal estamos vivos! ;)

Beijo, beijo em todos!
She