terça-feira, 24 de abril de 2012

Pra que tanta amargura e ódio no coração?

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O que mais me impressiona e entristece ao ler as pessoas conversando no Twitter é a enorme quantidade de jovens, adolescentes e até crianças alimentando o mal numa sede absurda de desejar que o outro se prejudique, ou até mesmo morra...

Acabei de acompanhar a conversa de duas "fedelhas" que mal saíram das fraldas desejando que o cantor Pedro Leonardo, o filho do cantor sertanejo Leonardo que sofreu um grave acidente de carro, morra...

Mas por quê?

O que ele fez para elas?

NADA.

Infelizmente esse tipo de comportamento tem se tornado banal entre os jovens...

Seja no Twitter, no Facebook, no Orkut, no Blog, em qualquer rede social.

Será que essas crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens não têm pai nem mãe?
Para olhar o que eles fazem na internet e daí conversar sobre o comportamento deles.

No meu tempo era assim que se educava: velando, cuidando, observando, conversando, mostrando o que é certo e errado.

Os pais na postura de pais, e os filhos na postura de filhos.

Tá bom, não sou mãe, falo tudo baseado na teoria, mas eu não preciso usar drogas para saber que elas fazem mal, logo, eu não preciso ser mãe para ver que tem alguma coisa errada nesses jovens.

Tem uma coisa muito errada na criação de hoje: ser permissivo demais.

É tanta raiva dentro deles, fico boba!

Eles se alimentam de raiva, de xingamentos, de desejar o ruim ao próximo.

De onde será que vem isso?

Será que é da falsa coragem que o estar em bando ou com alguns possa dar...

Será que é de filmes, novelas e jogos que cultuam sempre o bandido...

Será que eles imitam alguém da família...

Será que é índole ou personalidade...

Será, será, será...

O que sei é que tenho esperanças de que essa loucura toda acabe.

Porque não é possível que uma jovem, como essas duas meninas que acabei de acompanhar no Twitter, que devem ter de 12 a 15 anos tenham tanto ódio no coração...

Não cabe, não faz sentido!


- Sheila Mendonça -


ATENÇÃO: O Plágio é crime e está previsto na Lei nº9610 sobre direitos autorais! 

domingo, 22 de abril de 2012

Vai viajar? Então se entregue, de verdade!

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A CAPACIDADE DE SE ENCANTAR

- Martha Medeiros -


Muita gente diz que adora viajar, mas depois que volta só recorda das coisas que deram errado. Sendo viajar um convite ao imprevisto, lógico que algumas coisas darão errado, faz parte do pacote. 

Desde coisas ingratas, como a perda de uma conexão ou ter a mala extraviada, até xaropices menos relevantes, como ficar na última fila da plateia do musical ou um garçom mal-humorado não entender o seu pedido. Ainda assim, abra bem os olhos e veja onde você está: em Fernando de Noronha, em Paris, em Honolulu, em Mykonos. Poderia ser pior, não poderia? 

Outro dia uma amiga que já deu a volta ao mundo uma dezena de vezes comentou que lamentava ver alguns viajantes tão blasés diante de situações que costumam maravilhar a todos. 

São os que fazem um safári na Namíbia e estão mais preocupados com os mosquitos do que em admirar a paisagem, ou que estão à beira do mar numa praia da Tailândia e não se conformam de ter esquecido no hotel a nécessaire com os medicamentos, ou que não saboreiam um prato espetacular porque estão ocupados calculando quanto terão que deixar de gorjeta. 

Não saboreiam nada, aliás. Estão diante das geleiras da Patagônia e não refletem sobre a imponência da natureza, estão sentados num café em Milão e não percebem a elegância dos transeuntes, entram numa gôndola em Veneza e passam o trajeto brigando contra a máquina fotográfica que emperrou, visitam Ouro Preto e não se emocionam com o tesouro da arquitetura barroca – mas se queixam das ladeiras, claro. 

Vão à Provence e torcem o nariz para o cheiro dos queijos, olham para o céu estrelado do Atacama sofrendo com o excesso de silêncio, vão para Trancoso e reclamam de não ter onde usar salto alto, vão para a Índia sem informação alguma e aí estranham o gosto esquisito daquele hambúrguer: ué, não é carne de vaca, bem? Aliás, viajar sem estar minimamente informado sobre o destino escolhido é bem parecido com não ir. 

Estão assistindo a um show de música no Central Park, mas não tiram o olho do iPad. Vão ao Rio, mas têm medo de ir à Lapa. Estão em Buenos Aires, mas nem pensar em prestigiar o tango – “programa de velho!” São os que olham tudo de cima, julgando, depreciando, como se o fato de se entregar ao local visitado fosse uma espécie de servilismo – típico daqueles que têm vergonha de serem turistas. 

É muito bacana passar um longo tempo numa cidade estrangeira e adquirir hábitos comuns aos nativos para se sentir mais próximo da cultura local, mas quem pode fazer essas imersões com frequência? Na maior parte das vezes, somos turistas mesmo: estamos com um pé lá e outro cá. Então, estando lá, que nos rendamos ao inesperado, ao sublime, ao belo. Nada adianta levar o corpo pra passear se a alma não sai de casa.



Crônica da Revista do Jornal O Globo
- 22 de abril de 2012 -
Coluna da Martha Medeiros